Como preparar o seu orçamento familiar para enfrentar aumentos no custo de vida

Depois do crescimento dos últimos anos, as perspetivas económicas não se apresentam muito sorridentes para quem faz do trabalho o seu sustento.

O primeiro sinal de alarme veio com a subida abrupta da taxa de inflação em 2022 e 2023, agora relativamente controlada, mas com uma expressão ainda forte no mercado da habitação.

À inflação junta-se, agora, uma estimativa que aponta para que Portugal deixe o superavit dos últimos Orçamentos de Estado e volte ao défice que, segundo as políticas já anunciadas, resultará num regresso, ainda que encapotado, da austeridade.

Se a esta mistura explosiva juntarmos um crescimento salarial anémico, temos o caldo de cultura perfeito para um aumento do custo de vida.

O impacto da inflação nas finanças familiares

Acabámos de falar de inflação, ou seja, aumento generalizado dos preços, mas que impacto tem este fator nas finanças familiares?

Desde logo, produtos e serviços mais caros significam que uma fatia maior do seu orçamento terá de ser alocada ao pagamento destas necessidades, mas não só.

Regra geral, as taxas de inflação mais altas trazem consigo créditos mais caros, o que se traduz por mais uma fatura significativa.

Além disto, se os aumentos salariais não acompanharem a taxa de inflação, o seu poder de compra será reduzido, uma vez que o aumento será insuficiente para acomodar a subida dos preços de bens e serviços.

Como criar um orçamento mensal realista e flexível?

Face a esta perspetiva não muito animadora, urge tomar decisões que visem preservar, o mais possível, as suas finanças pessoais, sendo que tal começa, sem exceção, pela criação de um orçamento mensal realista e flexível.

Para isso, deve começar por fazer um apanhado das suas despesas mensais essenciais e das suas despesas esporádicas/supérfluas.

Em cada uma destas entradas, deverá dividir as despesas por categorias, de modo a identificar mais facilmente em que está a desperdiçar dinheiro e o que fazer para os reduzir.

Antes de falarmos de onde poderá cortar, lembre-se da regra 50-30-20 quando estiver a criar/analisar o seu orçamento mensal.

Na prática, esta regra de poupança diz-nos que 50% do seu orçamento deverá ir para despesas essenciais, 30% para desejos e 20% para a poupança.

Cortes inteligentes: em que pode poupar sem sacrificar a qualidade de vida?

Na sequência da análise do seu orçamento mensal, o primeiro corte deverá ser feito em despesas supérfluas, tais como almoços/jantares fora de casa, e na redução da utilização do carro, recorrendo, por exemplo, aos transportes públicos.

Já no campo das despesas essenciais, procure renegociar os seus contratos de telecomunicações, desativando, para o efeito, serviços redundantes ou que não utiliza; deverá ponderar também trocar de fornecedor energético.

Se estes cortes já lhe permitem obter uma poupança significativa (caso tenha dívidas em seu nome), o recurso a um crédito consolidado proporcionar-lhe-á uma lufada de ar fresco ainda mais importante no que concerne às suas finanças.

a consolidação de créditos oferece-lhe ainda a oportunidade de pedir financiamento adicional para investir ou criar um fundo de emergência.

Por exemplo, se paga duas prestações mensais no valor agregado de 500 euros relativas a dois créditos de, respetivamente, 3 mil e 5 mil euros, com um crédito consolidado, vai poder passar a pagar apenas 151,01 euros (simulação feita para um financiamento de 8 mil euros a 84 meses na instituição de crédito UNIBANCO)*.

Como vê, só aqui poupa mais 300 euros por mês.

A importância de um fundo de emergência em tempos instáveis

No ponto anterior, falámos de algo muito importante para garantir que o seu orçamento familiar passe incólume durante tempos de provação: o fundo de emergência.

Este fundo corresponde, grosso modo, a uma poupança paralela que serve para garantir a manutenção da qualidade de vida no caso de surgir algum imprevisto, devendo ser constituído por um montante que cubra, no mínimo, o equivalente a 6 meses das suas despesas.

Por exemplo, se as suas despesas mensais fixas são de 800 euros, este fundo deverá ter sempre 4800 euros ou mais ao seu dispor.

Ferramentas e apps para ajudar na gestão do orçamento familiar

Ao longo deste artigo, fomos transmitindo dicas para conseguir equilibrar o seu orçamento familiar, de modo a conseguir enfrentar aumentos no custo de vida. No entanto, se for mais adepto do digital, poderá também contar com algumas ferramentas e aplicações que podem ajudá-lo a contornar as despesas.

Entre as muitas ferramentas deste estilo existentes no mercado digital, recomendamos, pela sua simplicidade e gratuitidade, estas três:

1. Spending Tracker

Se deseja gerir as suas receitas e despesas mensais de forma gratuita no seu dispositivo iOS, a Spending Tracker é a aplicação que procura.

Para além de lhe permitir personalizar e categorizar os seus rendimentos e despesas, esta app dá-lhe acesso a relatórios estatísticos pormenorizados semanal, mensal ou anualmente.

2. Toshl Finance

Aplicação gratuita para Android, iOS, Nokia e Windows Phone, a Toshl Finance permite-lhe fazer o registo de todas as despesas que tem, mesmo as mais pequenas, garantindo-lhe que estará sempre a par do que gasta e não ultrapassa o orçamento definido.

3. Mint

Considerada uma das melhores apps de finanças do mundo, a Mint é um software gratuito que não só lhe permite acompanhar o seu saldo bancário em tempo real, como também receber notificações quando está prestes a ultrapassar ou o valor de despesa que definiu, ou o saldo disponível.

Dentro desta app, poderá agregar despesas associadas ao cartão de crédito, créditos pessoais e até contas-poupança.

 

* A simulação apresentada diz respeito a um financiamento de €8.000 a pagar em 84 mensalidades de €151,01. TAN 13,700% e TAEG 15,9%. MTIC €12.826,71.

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