Ter muitos filhos não significa imunidade

Isto de ter uma família numerosa tem o que se lhe diga! Há tendência para comentar: “Com tantos filhos não precisas que te ensinem nada!” “Já estás mais do que preparada!” “Já tens mestrado nisto!”

Mas na realidade, não é verdade! Todos os filhos são diferentes! É verdade que já fazemos tudo muito mais rápido. Já temos truques para conseguir dar a volta em algumas situações. Já sabemos mais ou menos o que pode resultar ou não. Algumas técnicas funcionam de filho de para filho. Mas não todas! Os gostos são diferentes e as personalidades também! É difícil lidar com pessoas, especialmente com crianças, porque cada uma é singular!

Cada vez que nasce um filho o receio é sempre o mesmo. Será que vai ser saudável? Será que vai gostar do primeiro banho? Será que vai ser um bebé calmo e vai dormir bem? É tudo uma incerteza!

Quando tive o meu terceiro filho, as enfermeiras da maternidade quase não me ajudaram em nada. Julgaram que já devia ter experiência por ter sido mãe de dois. Mas na realidade, já não dava banho a um bebé há cerca de 4 anos, por isso, algumas coisas já estavam esquecidas. É sempre bom relembrar e pedir várias opiniões. Não gosto de considerar que já sei tudo, porque acho que existem sempre formas mais práticas de executar uma determinada tarefa! Posso até conseguir fazê-la, mas se calhar, não da melhor maneira! Por isso, todos os comentários (construtivos) são bem-vindos!

Tirar um mestrado em Parentalidade é quase impossível! Julgo que nem com 4 filhos e nem mesmo com 10! Os bebés não são robots programados e por isso, não há manuais válidos. Ninguém os conhece a não ser que convivam com eles no seu dia-a-dia (e mesmo assim, dias não são dias). É preciso conhecer os seus hábitos, os seus gostos e mesmo o seu temperamento. Por isso, ninguém é um “expert” a cuidar de crianças. Nem os Pais, nem os Avós, nem mesmo as Educadoras da creche que convivem com centenas delas. Cada bebé é único e isso é realmente fantástico!

Por isso, dar o primeiro banho a uma criança é sempre uma aventura! Assim como o é a primeira sopa ou o primeiro dia de creche! A incerteza e a inquietação é igual! E os Pais sentem exatamente da mesma forma como se fosse o primeiro.

A entrada na creche costuma ser um momento angustiante! O receio é grande e as dúvidas são as mesmas quer seja o primeiro filho, quer seja o quarto. Estaremos a tomar a decisão correta? Será que deve ir para a creche tão pequeno? 

Por experiência própria, sei que o primeiro ano na creche costuma ser um ano difícil! Não me refiro tanto à adaptação, mas pelas doenças e viroses que eles costumam apanhar. Isso é sem dúvida o que mais me custa!

Por outro lado, também sei que as crianças que vão para a creche um pouco mais tarde, normalmente, têm um período de adaptação mais difícil (aconteceu com a minha primeira filha) e acabam por estranhar mais. Não costumam ter contacto com tanta gente no seu dia-a-dia, porque ou ficam apenas com os pais, ou são deixados aos cuidados dos avós ou de uma ama. O ambiente de barulho e confusão é estranho e o período de ambientação é um pouco mais prolongado, o que é perfeitamente normal!

Por isso, acho que a decisão de entrar na creche antes das crianças completarem um ano é a melhor (friso, pelo menos para nós). Não só considero que lhes faz bem para ganharem autonomia, mas também para sentirem um pouco de saudades dos pais e dos irmãos, saberem que a mãe ou o pai vão mas voltam, e estarem em contacto direto com outras pessoas. Porque não vivemos isolados, mas em sociedade! Apesar disso, a incerteza e a angústia dos Pais nos primeiros dias de creche é sempre a mesma! Este é o nosso 4 filho, mas não há imunidade que nos salve!

m1 m2

E com vocês? O que sentiram quando os vossos filhos entraram para a creche? Partilhem as vossas experiências!

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